Sou jovem e tive meus direitos violados quando me discriminaram por ser quem eu sou.

Os direitos juvenis dependem de uma convivência que garanta a integridade física e psicológica das e dos jovens. A homofobia, o machismo, o racismo e todas as formas de discriminação são violências que impedem a construção de relações democráticas, seguras e solidárias. Chega de preconceito e discriminação! Sem respeito às diferenças não pode haver igualdade social.

Sou jovem e tive meus direitos violados quando ignoraram o que eu penso e decidiram por mim.

Queremos decidir de forma justa, livre e radicalmente democrática sobre as nossas próprias vidas e sobre as vidas das nossas comunidades e cidades. Lutamos por autonomia e pelo fim das violações aos nossos direitos. A sociedade deve estar comprometida com o desenvolvimento integral das juventudes e, para isso, é preciso garantir a participação juvenil nas decisões coletivas.

Sou jovem e tive meus direitos violados quando me impuseram o silêncio.

Diversas práticas culturais das juventudes, especialmente dos e das jovens mais pobres, ainda são criminalizadas todos os dias. É preciso valorizar a vitalidade e a força criativa das culturas juvenis, a fim de assegurar os direitos humanos à comunicação e à livre expressão. Manifestações culturais são formas legítimas das juventudes intervirem na realidade. Queremos produzir arte e cultura sem opressão!

Sou jovem e tive meus direitos violados quando atacaram minha dignidade.

Cidadania é a chave para uma vida digna e livre de violência. Queremos existir, conviver, amar, criar, sonhar, trabalhar, circular, morar, estudar, participar com dignidade. Exigimos políticas públicas que assegurem todos esses direitos à população jovem. Temos orgulho de ser quem somos, estamos alertas e resistimos na luta por melhores dias.

Sou jovem e tive meus direitos violados quando limitaram minhas oportunidades.

Mais da metade da população carcerária de Minas Gerais é formada por jovens, a maioria negros e pobres. Denunciamos as constantes violações aos direitos de adolescentes e jovens em privação de liberdade. Queremos mais oportunidades e menos repressão. Superar a realidade atual exige a promoção de políticas articuladas de desenvolvimento educacional, sociocultural e profissional.

Sou jovem e tive meus direitos violados quando me desrespeitaram em casa, na rua, na escola, no trabalho, nos serviços públicos, nos espaços por onde circulo.

Ocupar a cidade é um direito. Queremos andar com tranquilidade e segurança em qualquer lugar, a qualquer hora. Recusamos padrões e estereótipos! As diferentes identidades juvenis devem ser valorizadas e reconhecidas pela sociedade e pelo poder público. Somos cidadãs e cidadãos e exigimos respeito.

Sou jovem e tive meus direitos violados quando destruíram a minha história.

Ocultar a violência é dar lugar à impunidade. É preciso manter viva a memória de milhares de jovens anônimos e anônimas que sofrem todos os dias com as injustiças e as desigualdades de um sistema social perverso. Defendemos o direito à memória como conhecimento crítico e transformador da realidade. Estamos presentes! Queremos conhecer nossa própria história para podermos reinventá-la.

Sou jovem e tive meus direitos violados quando me negaram o acesso à justiça.

A violência contra as juventudes precisa acabar. A responsabilização e a punição de violadores dos direitos juvenis são medidas urgentes para garantir uma vida justa a todos/as os/as jovens, sobretudo aqueles/as que mais sofrem com o abuso de poder e a discriminação, em suas diferentes dimensões. Basta de genocídio da juventude negra! Exigimos o reconhecimento público dos nossos direitos e a promoção da nossa cidadania em qualquer situação.