Racismo é tema de debate entre jovens do projeto InterAgindo, da UFMG

02/dez/2013 • 17:36
Jovens do projeto InterAgindo são trabalhadores da Cruz Vermelha Brasileira e atuam em diferentes setores do campus da UFMG.

Jovens do projeto InterAgindo são trabalhadores da Cruz Vermelha Brasileira e atuam em diferentes setores do campus da UFMG.

Na manhã do dia 5 de novembro, mais de 30 jovens integrantes do projeto InterAgindo, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), participaram de mais uma edição da série de encontros formativos da campanha “Juventudes contra Violência”. A partir de proposições, dinâmicas e discussões mediadas, os encontros buscam sensibilizar jovens para as diferentes formas cotidianas de manifestação da violência. Também é apresentado aos adolescentes o processo de construção da campanha, convidando-os a serem multiplicadores entre seus amigos, escola e comunidade. Os adolescentes do projeto têm entre 16 e 19 anos e são trabalhadores da Cruz Vermelha Brasileira, atuando em vários departamentos da Universidade. Para garantir mais espaços de fala aos participantes e estimular as conversas, foram formadas duas turmas simultâneas, cada uma delas mediada por uma dupla de educadoras.

Em uma das turmas, os jovens trouxeram à discussão manifestações físicas e simbólicas da violência, como brigas, agressões e estupro, ressaltando os desdobramentos gerados por essas violações. “A morte é consequência de um ‘monte’ de violências”, pontuou um dos presentes. Outros lembraram que ameaça e medo também estão associados a ela. Em outro momento da atividade, a turma foi dividida em grupos e instigada a compartilhar histórias verídicas sobre o tema, que eles próprios vivenciaram ou que tenha acontecido com amigos e pessoas próximas. Os participantes relataram casos de violência verbal, violência de gênero de um jovem contra sua namorada e um episódio de racismo. Neste último, um garoto negro foi apelidado de “macaco”, agredido fisicamente e, quando denunciou o caso, nenhuma providência foi tomada pela polícia.

Outros relatos envolvendo discriminação racial também foram mencionados pelos participantes. Um deles contou que seu irmão, igualmente jovem e negro, já foi abordado como suspeito por seguranças de um shopping e, em outro caso, uma vendedora não quis atendê-los. Quando as educadoras questionaram se brancos e negros tinham os mesmos direitos, um dos presentes respondeu: “na lei, sim, mas na sociedade, não”.

Ao longo da discussão, e a partir dos comentários trazidos pelos jovens, as educadoras lembraram que os direitos humanos – direito à educação, à cultura, ao lazer, à mobilidade, ao trabalho – são uma conquista gradual. Além disso, chamaram a atenção para a desigualdade que ainda persiste no acesso aos mesmos, especialmente para jovens negros e pobres. As educadoras destacaram a interdependência entre direitos, salientando que a não garantia de alguns deles pode resultar no não acesso a outros.

Ao final do encontro, um dos jovens participantes compôs uma letra de rap e cantou para os colegas. Clique aqui para assistir ao vídeo.

Veja outras fotos do encontro em nossa página do Facebook.

Trabalho e formação
Projeto de extensão desenvolvido pelo Observatório da Juventude (OJ) da UFMG, em parceria com a Faculdade de Educação (FAE) da Universidade, o InterAgindo oferece atividades de formação e socialização a jovens trabalhadores da Cruz Vermelha Brasileira, entidade que busca favorecer o primeiro contato de estudantes do ensino médio com o mundo do trabalho. Os participantes do projeto desenvolvem atividades laborais em diferentes setores da UFMG. “O foco é trabalhar os projetos de vida desses jovens”, explica a estudante de Ciências Sociais e integrante do OJ, Priscylla Ramalho.

As atividades formativas, que envolvem oficinas, dinâmicas em grupo e excursões, têm com base três eixos: formação pessoal, aprimoramento profissional e projetos de futuro. Os temas são escolhidos a partir das demandas dos próprios participantes. Participam do projeto aproximadamente 40 jovens da Cruz Vermelha, que, para se inscreverem, devem estar próximos de concluir seus trabalhos no campus.

A campanha
“Juventudes contra Violência” é uma campanha de repúdio às violações dos direitos juvenis e de mobilização social pelo fim da violência contra a população jovem de Belo Horizonte e cidades da Região Metropolitana. Lançada em maio deste ano, a iniciativa foi construída de maneira colaborativa junto a diversos grupos, movimentos e entidades formadas por jovens ou que desenvolvem atividades com juventudes.

Desde o início de 2012, o enfrentamento à violência contra as juventudes é a principal bandeira de lutas do Fórum das Juventudes da Grande BH. Em novembro desse mesmo ano, o Fórum lançou a Agenda de Enfrentamento à Violência contra as Juventudes, documento que apresenta um diagnóstico sobre o fenômeno da violência contra as juventudes no contexto local e levanta prioridades para as políticas públicas. A Agenda serviu de base para a construção da campanha colaborativa e segue sendo a principal referência das outras atividades do Fórum.

Durante a segunda quinzena de outubro e todo o mês de novembro, pelo menos dezoito escolas e espaços comunitários de Belo Horizonte e Região Metropolitana acolherão os encontros formativos da campanha. Em 2013, o Fórum conta com a parceria do Instituto C&A, por meio do Programa Redes e Alianças.

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